7.06.2006

Capítulo I

O oráculo (geriátrico) no restaurante do sol nascente

Perder porque há um careca que resolve cambalear com uma bola e derrubar uma vez mais as esperanças de um povo crente e desejoso da sua estrelinha no topo do emblema da federação do seu mais popular desporto, é algo que nos deixa sem forças para sequer nos levantarmos pela manha.

Ontem contudo, e no sentido de afogar as mágoas, na companhia do meu fiel assistente Kasefazem Kasepagam e da minha amiga Maufeitioébompelamanha (MaFeBoPeMa), fomos afogar as mágoas numa deliciosa refeição japonesa, povo que apesar de não ter tombado aos pés dos galos, já tinha levado o suficiente para não se conseguir se quer por em pe há para aí mais de 2 semanas.

Lá chegados, deparamo-nos com cena macabra, à estilo filme tarantino de anos 90. Um velho, talvez iniciado na pratica tantrica do jogo da sardinha, discursava abundantemente sobre o poder da formula mágica que possuía e que causava feitiços nas mulheres de meia idade que com ele partilhavam a mesa.

Pelo meio de um rolo terroristicamente devorado por Maufeitioébompelamanha, Kasefazem Kasepagam (KayKay) disparou o seu olhar assassino de encontro ao velho mestre guru, que desguarnecido de defesas e algo surpreendido teve que retaliar. Fez levantar as suas companheiras e pregou-lhes quatro beijos. A corrente passou e KK esbogalhou os olhos ainda mais. O seu poder condenatório não havia resultado e ele desesperava por uma qualquer outra arma de arremeso.

Enquanto isto, desloquei-me até ao balcão da cozinha para falar com o chefe, Matsumoto QueSiDane. Perguntei-lhe se o dia tinha corrido bem, ao que me retorquiu: “Claro, aqui o meu ajudante de cozinha Teté Henriques sacou um salmão na praça que tem dado excelente conta de si. Apesar de ter que ter utilizado uma faca que o cortou rentinho à perfeição, foi como marcar um golo de penalti numa semi-final do Mundial…sabes?”

Intrigado pus-me a pensar…que mais poderia eu ter sentido naquele momento que não uma estranha sensação de deja-vu? Hummmmm.

Voltei para a mesa, onde o barco japonês de sushi sashimi já tinha sido ardentemente devorado por KayKay e MaFeBoPeMa, que em conjunto se haviam entretido a atirar pedaços de dois crepes que haviam pedido de sobremesa um ao outro, no âmbito de um revival experiencial de jogos infantis a que deram o nome de “jogo da bolacha Maria”.

Pensei numa medida gástrica…quer dizer drástica para esta situação. Mas não me ocorria nada que não fosse o “mata, mata”. Era ainda assim demasiado tarantino e quando assim é duas vezes na mesma noite, é melhor parar.

Bebi o resto de cha verde que tinha na taça com caracteres japoneses que so querem dizer que por muito tempo que passe neste tipo de restaurantes nunca vou ter tanta paciência como a que gostaria, e arrastei KayKay e MaFeBoPeMa um em cada braço para o carro ao fundo da rua, pois o seu estado de embriaguez era de já elevado. “Que noite pensei…so me falta pisar trampa…merda!”. Pisei.

1 Comments:

Blogger Bruno Barqueiro said...

As coisas que sao compreensiveis para mais que uma pessoa são em si mesmas excepcionais. contudo isto trata-se de um romance, pelo que ainda estas a entrar na historia. Bem-vindo.

7:00 p.m.  

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