7.07.2006

Capítulo II

Os Canhões de Navarone

Ontem foi um dia canhão. Foi bom, cheio de balas.

“Para onde vais? Para Queluz. Não quero luz, obrigado. Para onde vais? Queluz. Ah. Onde é isso? Ao pé de Entrecampos. Ah Ok.” tarantino com musica kill bill.

Depois de ter fumado mais um canhão, enquanto dançava ao som dos Gothic Project,um conjunto de 7 músicos de origem nipónico-brasileira de fusão que fizeram um sucesso nos últimos anos por quase todo o mundo, olhei em volta e perdi a noção de espaço e tempo. Dei comigo a penar que estava a aculturar-me ao modus vivendi de KayKay. Olhei para ele e viu-o como sempre alucinado pela metadona que havia tomado antes do concerto por força do seu programa de desintoxicação. MaFeBoPeMa estava impassível com sempre…já era noite e portanto o seu estado de socialização tinha passado para “FumarEnaoMeMexerPorqueMeDoiaPerna”.

Desta vez tínhamos companhia. Um individuo estarnho, pelos no peito (MaFeBoPeMa odeia pelos no peito, ao contrario da minha ultima paixão, Kappinha, que adorava e por quem tinha deixado crescer por todo o meu corpo um verdadeiro matagal) e um inicio proeminente de calvice. A sua postura era um misto de Zandinga com Ney Mattogrosso de Portugal, o que per si deixava logo qualquer um de nós intimidado. AAproximei-me e perguntei se queria fumar o meu canhão. “Olha lá meu paneleiro…não sou desses!”.
Reactivo. Impulsivo. E sobretudo um bocado estúpido. Era a erva que era para fumar. Não o meu “berbequim”.

Saímos pelas traseiras, na esperança de não sermos atropelados pela correnteza de gente que se dirigia para a saída principal. Mas o que nos esperava era uma vaga de altas e inesperadas proporções. Sei que tivéssemos tempo para sacar da prancha, vagalhões de mais de 15 metros irromperam na nossa direcção vindos de todos os lados. Era como se o vento viesse simultaneamente de todos os 4 cantos da rosa dos ventos. “A vida como ela é…como devia ser.” Tanto bom peixe solto e tao pouca rede de qualidade. Recordei os belos tempos de pescaria de miúdo, em que o anzol era pequeno e não me fazia perder a cabeça. “Que Maravilha!”.

Tentamos apanhar um táxi. Impossível. Lembrei-me de sugerir que ao invés, fossemos beber um caipirinha todos no carro de MaFeBoPeMa. “Vamos ao garotas do mar, aquele barzinho com mesas japonesas ali na foz…sabem?” disse MaFeBoPeMa. Anuímos com a condição de demorarmos pelo menos 2 horas. Ok. Lá fomos.

Obviamente estava escrito nas estrelas. O encontro era previsível e não havia como escapar. Bem tentei por os óculos escuros, ainda que de noite pouco servissem, mas la estava a bela da minha ex-relação. Kappinha, no seu esplendor: numa mesa com 5 gajos de porte atlético e músculos firmes, mas sem uma única dose de cultura, mas naquele momento era tudo o que ela mais queria. Com ela uma amiga que já nem me recordava, gira mas gira, e com a qual de certeza maia frente no livro me acabarei por ter que envolver. Chamei à parte MaFeBoPeMa e disse-lhe que Kappinha estava ali – eram amigas de infância, já tinham feito os mesmo gajos mas desta vez a coisa correu mal. Zangaram-se porque eu tinha retirado o cartão do parque onde costumava estacionar o meu S2000 no Martim Moniz da Kappinha e tinha dado a MaFeBoPeMa que tinha ido para um projecto no hotel Mundial e me tinha pedido. Enfim, manias de gajas do tunning.

Mas o melhor estava para vir. Eva estava a chegar num Porche Carrera branco com a sua nova conquista…e ao mesmo tempo, PeloNuSovaco também apareceu, desde logo tranbordando imneso cheito a catim, isto apesar da sua branquíssima cor de pele.

Pensei em agir rápido…quem me pode salvar deste trio? Logo vi. Super Guitar. “Onde andas? Saint martens? Preciso de uma saída!”. Era no cruzamento do BBC com o InRio. Fui a correr.

1 Comments:

Blogger Bruno Barqueiro said...

Lindo!!!! Fabuloso era a Dona Teresa Postar tb...ja disse é para escrever sobre croissants e mel...e coisas assim

4:08 p.m.  

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